Coloproctologista
A cirurgia de hemorroida não precisa doer tanto
A hemorroidectomia tem fama de ser uma das cirurgias que mais doem depois. Essa dor tem causas conhecidas — e para cada uma existe uma técnica para resolver.
Se você só tem um minuto
A maior parte dos casos de hemorroida não vai para o centro cirúrgico. Quando vai, a dor no pós-operatório tem motivos conhecidos, e existem técnicas para diminuir essa dor — explicadas aqui embaixo. Em qual grupo você está, quem responde é o exame.
A história que você ouviu é verdadeira
Quase todo mundo conhece alguém que operou há dez, quinze anos e conta até hoje como foi. Essa lembrança é real. O que mudou foi o que se faz antes, durante e depois da cirurgia — e é disso que trata o resto desta página.
Antes de tudo: talvez você não precise operar
A maior parte dos casos melhora com ajuste do intestino, medicação e, quando cabe, um procedimento feito no próprio consultório — a ligadura elástica, um elástico aplicado sem corte e sem internação. Se a sua dúvida é se precisa operar, é essa a pergunta que a consulta responde.
De onde vem a dor — e o que eu faço
A região operada é uma das mais sensíveis do corpo. Mas a dor não vem de um lugar só — vem de dois, e cada um tem o que ser feito a respeito.
O aperto da musculatura
A ferida da cirurgia dói.
O cérebro devolve o aviso para a região em volta.
A musculatura do ânus responde do único jeito que sabe: apertando.
Apertada, ela comprime a ferida e chega menos sangue ali. Dói mais.
E recomeça. É um círculo que se alimenta sozinho — e é por isso que a dor aperta justo na hora que todo mundo teme, a de evacuar.
Meu diferencial aqui: conforme a avaliação da força do esfíncter, pode ser indicada a aplicação de toxina botulínica no pré-operatório, para relaxar essa musculatura.
Uso também, durante a cirurgia e por todo o pós-operatório, uma pomada de formulação própria, desenvolvida com substâncias que comprovadamente melhoram a cicatrização e reduzem a dor, além de ajudar a relaxar a musculatura.
O calor do bisturi
O bisturi elétrico corta e estanca o sangramento pelo calor, e parte desse calor se espalha para o tecido vizinho ao corte.
Meu diferencial aqui: trabalho com instrumentos de menor dissipação de calor ao redor do corte — o bisturi de radiofrequência e o laser de CO₂. Isso é definido na consulta, de acordo com a necessidade de cada paciente.
O bloqueio do nervo pudendo
As duas coisas acima atacam a origem da dor. Existe uma terceira: bloquear o próprio nervo que leva a dor daquela região até o cérebro, justamente nos primeiros dias, que costumam ser os piores.
Meu diferencial aqui: com a ajuda de um neuroestimulador e uma agulha fina, encontro exatamente onde está o nervo pudendo — o responsável pela sensibilidade da região operada — e aplico o anestésico diretamente sobre ele, ainda dentro da cirurgia. Esse bloqueio cobre os primeiros dias após a cirurgia, e a duração varia de pessoa para pessoa.
Eu vou sentir?
Não: é aplicado com você já anestesiado, dentro da cirurgia.
E quando o efeito passa?
O pico de dor e de inflamação já passou, e os remédios de horário marcado já estão fazendo efeito. Um emenda no outro.
E se não funcionar?
A analgesia da receita continua valendo igual. O bloqueio soma, não substitui.
Na hemorroidectomia que eu faço, o bloqueio é parte da rotina de analgesia. Não é possível garantir ausência de dor.
O plano contra a dor, em três tempos
Pré-operatório
Na consulta, o exame define se há indicação de cirurgia, qual técnica cabe no seu caso e como será o controle da dor. Quando indicado, o pré-operatório já inclui a toxina botulínica.
Durante a cirurgia
O bloqueio do nervo pudendo e a conduta contra o aperto da musculatura entram nesse momento — e não depois, quando a dor já se instalou.
Pós-operatório
Você sai com o plano de analgesia por escrito: o que tomar e em que horário, sem depender de adivinhar.
O remédio é tomado em horário marcado, sem esperar a dor apertar para tomar. Por isso a receita já sai com os horários escritos.
Quem vai te operar

João Vítor Viana
MÉDICO: CRM-PB 12831
Coloproctologista: RQE-PB 9819
Cirurgião Geral: RQE-PB 8740
Quer entender a fundo? Tipos, graus e diagnóstico
Internas e externas
As internas ficam dentro do canal anal: em geral não doem, mas sangram e podem sair ao evacuar. As externas ficam na borda do ânus, cobertas por pele sensível — quando formam coágulo (trombose), costumam doer bastante.
Os quatro graus
- Grau I — não saem do canal anal. Costumam dar sangramento.
- Grau II — saem ao evacuar e voltam sozinhas.
- Grau III — saem ao evacuar e só voltam empurradas com o dedo.
- Grau IV — ficam para fora e não voltam mais.
O grau é um dos critérios da indicação, não o único. Graus I e II costumam responder bem a tratamento clínico e a procedimentos de consultório. Duas pessoas com o mesmo grau podem receber condutas diferentes, e isso não é contradição — é medicina.
Como é o diagnóstico
- Conversa sobre os sintomas e o hábito intestinal
- Inspeção e exame da região anal
- Anuscopia — um exame rápido que olha o canal anal por dentro
- Colonoscopia, quando há indicação
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação médica individual.
A consulta responde o que a internet não responde
Se você precisa operar, qual técnica cabe no seu caso e como será o controle da dor — nada disso se resolve lendo. Traga suas dúvidas anotadas.