Coloproctologista
FISSURA ANALA fissura anal dói muito, mas o tratamento quase sempre começa sem cirurgia
A ferida tem poucos milímetros e a dor não combina com o tamanho dela: o que a mantém aberta é o aperto da musculatura ali. É nesse aperto que o tratamento mexe primeiro — a cirurgia é a última carta da fila.
Se você só tem um minuto
A fissura é uma ferida pequena no canal anal, e a dor dela não combina com o tamanho: ela se mantém aberta porque a musculatura da região aperta e chega pouco sangue ali. Existe o que fazer contra os dois lados disso, e na maior parte das vezes começa sem cirurgia. Qual é o seu caso, quem responde é o exame.
Você já está adiando o banheiro
Dói na hora de evacuar, como se cortasse, e continua doendo depois — às vezes por horas, sem posição boa para sentar. Aí vem o sangue vivo no papel, e a próxima ida ao banheiro vira algo que se empurra para amanhã.
Adiar é a reação natural. É também o que endurece as fezes e faz doer mais na vez seguinte.
Por que ela não sara sozinha
O tamanho da ferida não explica essa dor toda. O que explica é o círculo em que ela entra.
Evacuar abre a ferida. Dói na hora, e continua doendo depois.
A musculatura do ânus reage do único jeito que sabe: apertando.
Apertada, ela comprime os vasos dali e chega menos sangue na ferida.
Com pouco sangue chegando, o corte não fecha. Amanhã ele abre de novo.
E recomeça. Enquanto a musculatura seguir apertada, a ferida não tem como cicatrizar — e a fissura se arrasta por semanas.
O que eu faço para quebrar esse círculo
Eu mexo nos dois lados dele: parar de reabrir a ferida todo dia e fazer a musculatura soltar. Na maior parte das vezes isso começa sem cirurgia.
Tirar a dor e amolecer as fezes
Fibra, água e, quando é preciso, laxante — para a ferida deixar de ser reaberta todo dia. Banho de assento morno e pomada aliviam enquanto isso.
Toxina botulínica
Eu aplico no próprio músculo que aperta, para mantê-lo relaxado por algumas semanas — tempo em que o sangue volta à ferida e ela tem chance de cicatrizar. A indicação é caso a caso.
Cirurgia
Quando a ferida já é antiga e o aperto não cede, eu solto parcialmente esse músculo — a esfincterotomia — para a pressão baixar. É a última carta da fila, não a primeira.
Quem vai te operar

João Vítor Viana
MÉDICO: CRM-PB 12831
Coloproctologista: RQE-PB 9819
Cirurgião Geral: RQE-PB 8740
Na fissura eu trato na fase aguda e na crônica: medidas para relaxar a musculatura, bloqueio com toxina botulínica e, quando é o caso, cirurgia.
Quer entender a fundo? Tipos, causas e diagnóstico
O que é, em termos técnicos
Ferida na mucosa que reveste o canal anal (CID K60.2), uma das causas mais comuns de dor anal intensa. O aumento da pressão do esfíncter interno é o que a mantém aberta.
Aguda e crônica
Fissura aguda
Ferida recente, de bordas regulares. Em geral é onde o tratamento clínico é tentado primeiro.
Fissura crônica
Passou de seis semanas, com bordas endurecidas e uma pele extra na região (o plicoma). É a que mais costuma chegar à cirurgia.
Principais causas
- Constipação e fezes endurecidas
- Diarreia frequente
- Doença de Crohn
- Trauma anal
- Aumento da pressão do esfíncter anal
- Infecções sexualmente transmissíveis
Diagnóstico
Na maioria das vezes sai da inspeção da região, sem exame por dentro. Com dor intensa, o toque fica para depois de aliviar a dor.
Perguntas Frequentes sobre Fissura Anal
Em que fase está a sua fissura
Na consulta eu examino a região, vejo em que fase ela está e qual caminho cabe no seu caso. Traga suas dúvidas anotadas.